A rápida urbanização e o crescimento populacional estão a provocar um aumento acentuado da produção de RSU. De acordo com o PNUA 2024 Perspetiva global da gestão de resíduosSegundo as projecções, os volumes globais de RSU deverão triplicar até 2050. A gestão eficaz dos resíduos - através da redução, reciclagem e recuperação de recursos - é fundamental para atenuar a pressão ambiental, reduzir a dependência dos aterros e avançar com os objectivos da economia circular.

 

Tendências globais da produção de RSU

Os dados do Banco Mundial indicam que os RSU globais aumentaram de 1,2 mil milhões de toneladas (2002) para 2,0 mil milhões de toneladas (2016), com projecções que atingem 2,7 mil milhões de toneladas até 2025. A industrialização, a urbanização e a alteração dos padrões de consumo são os principais factores.

 

Principais desafios

  • Complexidade de ordenação: A incoerência das normas de classificação e a fraca participação do público impedem uma separação eficiente das fontes.
  • Baixas taxas de recuperação: As taxas globais de reciclagem são, em média, de 13-30%, com disparidades entre as regiões desenvolvidas (por exemplo, Alemanha: 56%) e as regiões em desenvolvimento (<5%).
  • Custos operacionais elevados: A recolha, o transporte e a triagem exigem um investimento significativo, tornando frequentemente a deposição em aterro/incineração a opção por defeito.
  • Riscos ambientais: O processamento de plásticos e de resíduos electrónicos pode libertar poluentes, exigindo sistemas avançados de controlo de emissões.

 

Sistema integrado de valorização de RSU

Sistema de alimentação:

  • Os transportadores de placas e os alimentadores vibratórios asseguram uma entrada uniforme de material e evitam o entupimento.

Redução de tamanho:

  • Trituradores de corte de eixo duplo: Processadores de baixa velocidade e binário elevado para resíduos volumosos (por exemplo, mobiliário, mistura de RSU).
  • Trituradores de veio único: Unidades de alta velocidade para materiais frágeis (madeira, plásticos rígidos).
  • Trituração em várias fases: Trituração primária (<300mm) seguida de trituração secundária (<80mm) para aumentar a pureza.

Separação de materiais:

  • Separação magnética: Recupera metais ferrosos através de ímanes suspensos/tambor.
  • Classificação do ar: Separa as fracções leves (plásticos, papel) dos resíduos pesados (vidro, pedras) para a produção de CDR.
  • Rastreio: Os crivos trommel/vibratórios classificam os materiais por tamanho de partícula.

Recuperação de recursos:

  • As fracções leves e de alto teor calorífico são densificadas em pellets RDF como combustível alternativo para fábricas de cimento ou para a produção de energia.

Controlos ambientais:

  • Os colectores de poeiras e a automação baseada em PLC garantem a conformidade com as emissões e a eficiência operacional.

 

Considerações sobre a configuração do sistema

  • Escala/Sítio: Instalações fixas vs. modulares/móveis para operações centralizadas ou descentralizadas.
  • Composição dos resíduos: Dar prioridade aos separadores de correntes de Foucault para os metais não ferrosos ou aos classificadores de ar para a otimização do FTR.
  • Conformidade regulamentar: Integrar sistemas de controlo de ruído/poeira para cumprir as normas locais.

Conclusão

Linhas de processamento de RSU inteligentes e automatizadas - apoiadas por avanços políticos - são essenciais para alcançar taxas de reciclagem mais elevadas, circularidade dos recursos e desenvolvimento urbano sustentável.